- AAAAAAAAAAA! - tentei exclamar na medida em que se extraía aquele dente gigante.
Ai de mim. Diante da súplica patética, a dentista riu indiferente. Que lástima essa cirurgia - pensei em lamúrias, na paúra.
- Hein?! - a sádica me surpreendeu, agressiva:
- Já pede clemência? Veja a agulha!
- AAAAAAAAAAA! - a minha queixa quase muda.
- Que tal testar a eficácia da anestesia?
- AAAAAAAAAAA!
E de repente, ela me pega e murmura, de maneira bem lenta, rente a minha cabeça:
- Aceite a fugacidade... e nada que pareça durável te atingirá.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 5/24/2008. ##########
******Terça-feira.....
Prisão perpétua
Como é possível ao homem entender aquilo que está além do seu mundo médio (espaço das dimensões intermediárias, que vai das moléculas até a Via Láctea) utilizando as ferramentas perceptivas cunhadas - por meio da seleção darwiniana - por esse próprio mesocosmos?
É estar preso neste aquém, no ante às partículas elementares e transgaláctico do espaço-tempo. Ser culpado, ingênuo, por acreditar na cor. Por crer, devotadamente, naquilo que se respira. Por enxergar nos fótons a luz retida na retina. Por decifrar o som de tudo aquilo que se diz. Por perceber, na pele, o tráfego de energia em calor. É ser condenado à prisão perpétua, então, pelo crime de existir - Ignoramus, ignorabimus - não sabemos, nunca saberemos.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 5/6/2008. ##########
******Quinta-feira.....
Horário nobre
Um senhor da tevê, cheio de táticas, faz balançar no ar da república as nádegas epiléticas de uma fantástica ninfeta. Depois do clima de festa, o mesmo senhor tece a sua crítica e, cheio de etiqueta, reclama por mais ética na política. Os pobres proletas, enquanto isso, se acabam em punheta, sem perguntar quem é que está mamando naquele frenético par de tetas?
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 4/24/2008. ##########
******Domingo.....
Dança de Saburo Teshigawara para zombar das suas mentiras tão naturais.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 4/20/2008. ##########
******Quarta-feira.....
Acerca de si
Quando o cerco se fecha: ensimesmo-me e digo: estou bem às farpas!
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 12/26/2007. ##########
******Sexta-feira.....
São muitas as coisas que os computadores são capazes de fazer, e para todas as outras: ovelhas.
A grana está curta companheiro? Seja um trabalhador online, ofereça sua mão-de-obra virtual no endereço: http://www.mturk.com. Você irá ganhar 0,03 centavos de dollar para cada HIT resolvido. São questões simples, do tipo: existe uma pizzaria nesta imagem? Problemas fáceis para humanos, mas que a máquina ainda não consegue responder. Empresas de todo o mundo já estão contratando os serviços desse novo tipo de empregado. E como não poderia deixar de acontecer já existem os insurgentes, me parece que é um ludismo às avessas. Mas se os modos de exploração do trabalhador vão se reiventando com as novas tecnologias, desde os cercamentos, a velha metáfora continua a mesma: http://www.thesheepmarket.com/
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 12/21/2007. ##########
Enquanto isso, logo ali na Suiça...
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 10/19/2007. ##########
******Quarta-feira.....
o sonho dos manos
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 9/19/2007. ##########
******Segunda-feira.....
Só, me vês amar? Amo e bebo cínico. - Bebe o mar, ama-se. Vemos. Escrito por Mário Texeira
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 9/17/2007. ##########
******Terça-feira.....
Bichinhos fofos em extinção, e daí?
Além das grandes catástrofes ambientais e a da extinção de animais super fofos como o urso polar e as foquinhas, o aquecimento da atmosfera possui uma conseqüência muito mais grave. Novos estudos revelaram que para cada grau acrecido no termômentro, alguns milhares de novos ecochatos surgem no ambiente social. Parece que as altas temperaturas favorecem a reprodução dessa espécie, que hoje, já pode ser considerada uma praga.
A comunidade científica já está convencida que o homem é responsável pelo aquecimento das últimas décadas, não se trata, como se acreditava alguns anos atrás, de um ciclo natural da Terra. O relatório do IPCC extinguiu aqueles que acreditavam na própria inocência, mas, é claro, não foi o suficiente para decompor as grandes corporações que os patrocinavam. Aproveitando essas evidências, alguns entusiastas das causas ecológicas se vêem no direito de condenar a raça humana por sua interferência no ambiente. Os eco-fanáticos estão poluindo a biosfera com seus clichês e frases de efeito. A maioria deles é liderada pelo "Al Goracle", porta voz de "Uma verdade incoveniente", documentário em que se afirma que o aquecimento global não é um problema político mas um problema moral. O vice-presidente dos EUA além de dar um tiro na própria pátria, com o perdão do trocadilho bélico, conseguiu com toda essa celeuma uma solução política de abrangência mundial - essa estratégia é moral?
Prender as flatulências (o metano é pior gás estufa) com técnicas de ioga não salvarão os ursos polares da extinção. O povo do arquipélogo de Tuvalu vai conseguir diplomaticamente seu cantinho na terra. Além disso, a inédita cratera do Kilimanjarro é linda, seu pico fica até melhor sem aquela neve toda! Portanto, o buraco é mais embaixo - não o da camada de ozõnio.
Que os ecomalas de todo o mundo não se preocupem, porque a natureza sempre encontra seu equilíbrio, não importa o tamanho da perturbação - os dinossauros sabem disso, pergunte aos fósseis! É preciso esfriar os ânimos e pensar em proposições sérias para o desenvolvimento humano. Pois enquanto se discute questões de urso, mais de 3000 crianças africanas morrem de malária por dia. E isso é imoral.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/3/2007. ##########
******Quarta-feira.....
pássaro nubívago - para o caro mário amigo -
Sôo o pio perdido do pássaro nubívago, que na falta de patas, abre a asa indefinida contra o tempo. Se parece loucura esse resfolegar, se busco no ar o apoio em sonho tonto de puleiro, é porque é somente no elevado atmosférico que sinto a utopia do vôo.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 6/27/2007. ##########
******Sexta-feira.....
A senhora é a nossa pastora e tudo nos faltará
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 4/13/2007. ##########
******Quinta-feira.....
QUESTÃO 02 - Quais são as consequências da ingestão diária de propaganda?
A) Leve sensação de esperança e desejo de comer batatas.
B) Estímulo de impulsos que trazem sentido para a vida e angústia.
C) Náuseas e suspiros de desconsolo.
D) Cócegas no ego e vontade de "pegar aquela mina".
E) Platelmintos.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 4/12/2007. ##########
******Domingo.....
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 4/8/2007. ##########
******Segunda-feira.....
QUESTÃO 01 - Quais são as consequências da exposição prolongada à hipocrisia social?
A) Prurido e manchas na pele.
B) Formação de análise e feição blasé.
C) Ânsia de mudança e exaltação de ânimo.
D) Leve desconforto e resignação.
E) Platelmintos.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 4/2/2007. ##########
******Domingo.....
A discussão entre o tomate e o alface
Tomate: -Tu és um destemperado! As proteínas da razão te fazem falta.
Alface: -Tanta polpa para nada! Saiba que sou eu, Alface, o vegetal mais saladino! Venho direto da horta do profeta.
Tomate: - Falo sobre o seu sacrifício. A eternidade que você busca vale 15 minutos na Aljazeera e nada mais.
Alface: - Se envergonhe do seu tom cético, típico da sua película de tomate. Clorofila é o que te falta. O meu martírio é uma operação da álgebra de Alá.
Tomate: - Pobres sonhos de agrião... regados ao extra-virgem dos desejos reprimidos. Ora... Floresça! Parece-me uma alfafa querendo o perfume da alfazema. Não percebe que tu és um alface!
Alface: - Que o grande Alá te cubra com a alforra!
Momentos antes de serem ambos consumidos por uma boca metafísica, alheia à fome que os alimentos sentem.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 3/25/2007. ##########
:SemCensura: ) as Nádegas da Leda Nagle na Raja Gabáglia. (
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 3/4/2007. ##########
******Segunda-feira.....
Votos verdes
que o tempo se tinja com seus tons, tic-tac tinto de verde e nos pigmente de esperança. que a sensação vibrátil nos anime às veredas e a frequência torne viável a travessia. que amplitude do espectro se amenize e torne as cores, como percepção particular da luz, mais leves. que o que é verde de inveja amadureça e, se der, que o tal passarinho apareça. que seja verdadeiramente novo o ano.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 1/1/2007. ##########
ela falava sobre o tempo e fazia florecer como ipê a sua boca rosa de junho: MoÇa, me leve ao centro - ordenei.
- Oi... Oi... Oito pilhas é um real!
cheia de estações, desfilava sem pressa entre os desvalidos, naquela bizarria urbana
- Salão, salão...
- Olha o giz chinês...
e mesmo despida de toda vaidade, sentia receio da gripe que a sua auto-estima podia pegar, coisa de mulher
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 12/27/2006. ##########
******Domingo.....
Onde estará o velocino de ouro?
"Começarei ò Febo, contando as famosas ações dos homens do passado que, a mando do rei Pélias, atravessaram a boca do Ponto, entre as rochas Simplégadas, na veloz Argos em busca do Tosão de Ouro."
Apolônio de Rodes - Argonautica, Livro I, s. I, II 1-4
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 12/17/2006. ##########
Humanitas
Caro leitor,
se você é um brasileiro de bom coração e sabe sentir a pátria, perceba. Senta... escute a delicadeza da voz que fala no choro número cinco, se reconheça no pranto da melodia ou se não há também o grito do estorvo, grite se quiser, tanto faz... Não! Calma, quieta e ouça o suspiro inabalável de sua mãe gentil, se emocione.
* Nelson Freire interpretando o Choro Número 5 (A alma brasileira) de Villa Lobos.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 12/17/2006. ##########
******Sexta-feira.....
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 10/13/2006. ##########
******Segunda-feira.....
a Morte de um jovem poeta mineiro
hj, dia tal, do mês tanto, morre BrunoBrum. vítima de um pedregulho, quando caminhava rumo ao topo do viaduto de Santa Teresa.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/10/2006. ##########
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 6/24/2006. ##########
******Sexta-feira.....
minha vaquinha no "Cow Parade"
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 6/23/2006. ##########
******Quinta-feira.....
? durante o jogo ?
os malabaristas ainda driblam os automóveis?
será que, durante o jogo, os automóveis trafegam?
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 6/15/2006. ##########
******Quarta-feira.....
espanca!
aos meus familiares
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 6/7/2006. ##########
******Terça-feira.....
Entre pombos, os homens sensíveis com xícaras - na rua do café (Savassi)
Nesta rua, homens sensíveis com xícaras conversam sobre as coisas do país. Demonstram clareza ao discutirem a circunstância política, não deixando nunca de considerar a condição macroeconomica. Enquanto uns esquadrinham o cenário latino-americano, outros porém, contudo e todavia. E muitas questões mais relevantes. Alguns deles atentam para o fato, outros cogitam a possibilidade e muitos estão a nível de Brasil. Contendem-se aos se contradizerem e alteram-se alternando a controvérsia. Polemizam as reformas e repercutem as ações com cautela. Ninguém além destes homens sabe ponderar assim, entre goladas de café, utilizando sem dificuldades palavras como: conjectura, problemática e dicotomia; alguns fazem até inferências. Batem na mesa apontando para a cidade, se indignam franzindo um "satatus quo" ou gastando um "establishment".
Enquanto isto, nesta mesma rua, os pombos ciscam.
Circulam alheios entre as mesas, bicando as migalhas.
Os pombos da rua do café são do tamanho de galinhas.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 5/16/2006. ##########
******Sábado.....
{.^Çc^. }(Yhd*66%#_++){¨¨Çc...}
A MAResia .:..:.:..:..:{ a VERtigeM desse barco} eu expelindo o Seu vÔmito+ ##, era o veneno fugindo do confronto +minh a{ boca }t ensa ---> um ----->__ abrigo fácil; (são as sujeiçôes de um $$homem$$ seduzido*** que pondo de bOrco esse doce ácido, aos seusPÉs dizia: - DeSPrevina-me &&&mulher,por favor,, clemência,,,chega desse aroma () dessa dança , .. dessas suas pronúncias, [][][]] não me fale EM MozarTTT []]]] :(((e (derrot(a(d(o(já sem) alma)) um zUMbi tanso, um toloo sonso, o bobo cego, chapado, um ateu [oocoo] já além da conta >>>>PROntO na sua pALma ** que emBALa-me em belezas delicadas >>> no MIMO )*( de ceriMõnia constante;AI aI Aia IaiA ia ai ai a aia Ai se ia crendo nesses seus mínimos um espetáculo máximo...
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 4/22/2006. ##########
******Sexta-feira.....
Redimir - o professor bandolinista
Redimir é professor na roda de choro, bandolinista. Mesmo eu sendo duro e sem ritmo, ao escutá-lo resolvi:
- Redimir, o senhor ensina-me a tocar pois eu preciso:! quero ser escravo do meu samba.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 3/24/2006. ##########
******Quarta-feira.....
Um oferecimento de:
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 3/22/2006. ##########
******Terça-feira.....
Valeu a pena? Tudo vale a tecla
Se o blogue não é essa meleca.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 3/21/2006. ##########
******Quinta-feira.....
Ritmo e poesia
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 3/16/2006. ##########
******Quarta-feira.....
Paralaxe hipotética
Por toda precisão das medições do IMETRO!
Por todos mega-pixels de uma câmera digital japonesa!
Tudo tanto faz. Pode-se usar anos-luz na medida dos átomos ou angstrons na medida dos astros, a realidade é mesmo irrepresentável. Não existe, do pictórico ao alfabético, linguagem que comunique a verdade das coisas. Entre dois números sempre existirá um outro (menor(menor(menor(...), e a imprecisão do infinito se estende imensa entre o ínfimo dos signos. Nada é além do que sentimos, toda comunicação é inviável. E perdidos no absurdo do imensurável, sabendo somente dessa sensação de ser e nada mais - mera invenção dos sentidos - seguiremos, ainda que inexatos, amparando-nos na paralaxe hipotética das linguagens.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 3/15/2006. ##########
******Domingo.....
storyboard para um dia triste
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 3/12/2006. ##########
******Quarta-feira.....
**FINITO**
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 2/1/2006. ##########
******Domingo.....
ESPANCA!
Com o corpo todo dolorido digo aos belo-horizontinos que se acham protegidos das intempéries, crentes orgulhosos da impermeabilidade de seus poros, mas que percebem, aos poucos, que estão indo a pique. Aos insensíveis da cidade. Aos indiferentes do cotidiano que passam desapercebidos dos outros e que começam, mesmo sem pele, a sentir a infiltração da nossa tragédia Hurbana. É preciso parar para pensar um pouco, como o homem que eu vi ontem na avenida do Contorno, que parou... mas levou um buzinaço! sem perdão, nada de metafísica para os ouvidos. É preciso simplesmente contemplar, precisamos criar um tempo para sentir e é só. Hoje eu vi um saco plástico boiando na lagoa da Pampulha, gestava uma menina! linda, que parida do pior, na sua ousadia, diante dos nossos olhos, surgiu do nada, rompendo o ventre de lixo - aquele útero de plástico preto não conteve sua força. Estas histórias do cotidiano penetram sorrateiramente o sem saber, preenchem as lacunas das nossas brutalidades e acabam, em alguma hora, pesando, imergindo todos nós, ainda mais, nesse lodo de insensatez. Na última quarta-feira eu vi uma moça de vermelho correndo atrás do caminhão coletor de lixo!, escutando aquela música do Beethoven, pour elise, eu nunca vi tanta profundidade no mais delicado, tanta força no mais frágil... tive vontade de sair correndo ao lado dela.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 1/29/2006. ##########
******Terça-feira.....
UTOPIA Ela percebeu, na prática, que depois do estouro a única coisa intacta que resta, entre rasgos de borracha, é a boca do balão.
GALOPANTE É no embalo que se percebe como é macia a rima do cavalo.
DIVALÊNCIA Divagueia a grande diva, dividida entre sua dádiva e uma dívida.
NANO-OVO Passa a cântaros e se impôem aos povos o novo pássaro dos tempos, ave a se habituar.
A MORTE DO HERMÉTICO O poeta morreu incompreendido, mas deixou em testamento uma explicação razoável para cada um dos seus versos e a partir de então se tornou genial.
FRUGAL Afinal, aquilo era um pato asmático ou um platéia sueca? Era uma lesma espirrando sal ou uma lésbica esporrando pau?
PATOTA Fôssemos eu, Quaresma e Persílio.
FLAGRANTE DELEITE O filho foi pego em flagrante, pela própria mão, em deleite solitário - um delito para a mãe, que se sente constrangida, desde então, ao falar de sexo com o filho - que se acha gozado por não poder falar de sexo justamente com os pais. ele, se sentido culpado e ainda mais só, começa a desconfiar, nessa atitude da mãe, do arrependimento dos pais.
LAGOINHA Foi ai que gritaram para mim: lave a navalha na veia daquele cara seu canalha!
PROFISSÃO Os poetas contemporâneos gastam tanto tempo sendo poetas contemporâneos que acabam se esquecendo da poesia ( os poetas contemporâneos são tão certos que me deixam um pouco acanhado de perguntar, mas a sobrevivência da poesia no tempo, o fato dela ser atemporal, não é uma qualidade?
QUEM ME EXPLICA Ela é a minha vertente barlavento, minha média ponderada, meu adjunto adverbial de modo, minha cadeia alimentar, meu modelo atômico ( ... )
À LUZ DA SANTA INSÂNIA Senhores, aproveito esse raro momento de lucidez para mandá-los para a puta que pariu!
ELAvALE Penso que a conheci no susto, ela estava em pleno salto. O suspense do chão no pulo em um profundo mergulho atmosférico ( ... )
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 1/24/2006. ##########
******Segunda-feira.....
:. FaÇaMos ,;
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 1/23/2006. ##########
******Terça-feira.....
Fetiche
Filho de um sociólogo socialista, o confuso gordinho nunca conseguiu ter uma relação íntima com alguns conceitos. Um dia desses estava em dúvida não sabendo se era um pedófilo ou um podólatra. Cheio de fetiches, o gordinho incomum ganhou dos amigos, no seu jocoso troca-troca, o apelido de Pé-de-moleque.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 1/17/2006. ##########
******Domingo.....
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 1/15/2006. ##########
******Sábado.....
Auto-cadáver, na sala de estar - ao som de "Play Dead" da Björk e "Toada de Portalegre" de José Régio
Completamente inexistido e indispondo na sala de estar, meu estado acomodado de cadáver começa a incomodar. Acho que estou cheirando mal, a raiva atravessada no olhar de quem me vê. Olhos antes marejados de egoísmo, que depois de verter lágrimas tristes, estavam prontos para me culpar: morto fedido! Completamente inexistido e indispondo na sala de estar, meu estado acomodado de cadáver começa a incomodar. Morto por um assassino difuso, que está no cotidiano das coisas e que me perfurou em agulhadas até fazer sangrar. Qual é a culpa que um cadáver não é capaz de assumir? Completamente inexistido e indispondo na sala de estar, meu estado acomodado de cadáver começa a incomodar. Mas se meu cheiro desagrada os vivos... é porque não existe nada mais real do que um corpo sem vida... e tudo que o homem faz - na arte, na ciência, na religião - não passa de perfume, fúnebre floricultura . Completamente inexistido e indispondo na sala de estar, meu estado acomodado de cadáver começa a incomodar. E se incomodo, se meu cheiro perturba, é porque estou passado. Todo morto é passado, tempo próprio dos cadáveres, permanente, sabido e sem mistérios. Completamente inexistido e indispondo na sala de estar, meu estado acomodado de cadáver começa a incomodar. Descobriram minha condição: desistido de mim, deixei de ser na sala de estar, um peso vivo que todos querem se livrar.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 1/14/2006. ##########
******Sexta-feira.....
Aquela vontade de fugir... qualquer dia saio sem acenos, compro uma passagem
da viação Cometa e vou para Nepomuceno, de excursão! Lá sou amigo de
um vereador. Vou-me embora para Nepomuceno, aqui não sou feliz.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 1/13/2006. ##########
******Quarta-feira.....
Retrospectiva 2006- o melhor dos quatro dias:
1- As 18 páginas do Eça de Queiroz - começa muito bem o livro As serras e as montanhas.
2- A minissérie JK - o bom gosto das cenas do primeiro capítulo, a cena do tuberculoso cuspindo sangue no violão me comoveu, singelo demais da conta. Eles usaram aquele molho vermelhinho do Macau, o restaurante chinês do Lourdes, que acompanha o rolinho à primavera. O clima uaistern é muito verossímil. A atuação das crianças, todas lindas (padrão globo de qualidade ou melhoramento genético), é espetacular, são muito naturais e bem dirigidas.
3- A sobra da ceia - os melhores momentos do natal e da virada de ano. A ceia revisitada, o peito de peru de ontem é o mexido de hoje e a sopa de amanhã.
4- A entrevista do Lula - profunda, jornalismo investigativo, a naturalidade das respostas do presidente pode ser comparada às crianças da minissérie JK. E a credibilidade de um jornalista como Pedro Bial, são cinco BigBrothers, no impulso ele quase eliminou o presidente.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 1/4/2006. ##########
******Sábado.....
Moto-Perpétuo Caipira II
Arrematando um ano condenado, morreu o melhor violeiro da história. Será sentença de trato feito? Conseqüência natural é escutar o silêncio da inhuma, do pio da siriema no campo, do florescer da paineira, das badaladas do relógio da fazenda; e soará sempre viva sua viola. Renato Andrade inventou o "moto-perpétuo caipira", que funcionará eternamente. Sarapalha fez erudito!
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 12/31/2005. ##########
******Sexta-feira.....
Adjetivo(s)
Moacir Scliar receitou, em entrevista ao poeta Michel Melamed, no programa Re[corte], a moderação no uso de adjetivos para uma escrita que satifaça os preceitos da estética. Deve-se tomar cuidado com a adjetivação: lição aprendida desde muito cedo, quando era um estudante de medicina e escrevia nos intervalos das aulas, em guardanapos de papel. Usando toda área dos mesmos e suas faces, sentado na lanchonete, sem companhias ou colegas, o escritor tentava enxugar a fama que escorria por toda faculdade: sovina, pão-duro, mesquinho, avarento, somítico, munheca-de-samambaia, sórdido, poupador, unha-de-fome, miserável, muquirana...
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 12/30/2005. ##########
******Quarta-feira.....
Cada verso explicado um cadáver somado
- Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram para matar o meu professor de literatura, aquele sem vergonha. Bem na barriga do canalha, que é para derrubar o castelo do nobre que mora lá. Dizem que os críticos são escritores frustrados, o crítico quando se frustra, então, vira professor de literatura. Essa frustração crítica se transforma em vingança contra os alunos (leitores em potencial dos escritores) que se frustram com a literatura através das aulas. Posso dizer assim também, em máscara-mostro de comer aluno:essa raça magniloqüente foi afogada na superfície de rios baldados, são rasos ostentadores de pseudocomplexidades em paradoxos profundos. Esse incauto me falou em prepotências, que nonada era um neologismo, não quis escutar, nunca leu os poetas seiscentistas. Matei esse, mato outros. Falei sobre o pinto do Leminski, epígrafe do "Catatau", ele deu uma risada que defunto não ri, e foi, morreu pela boca, no tempo da enunciação, não escutou? Foi aprender a ser sarcástico com o professor-mor, o tal, o cujo, o Hermógenes. A máscara de cachorro do bezerro, para mim, é uma imagem metalinguística, assim como o pinto-ganso do Paulo Leminski, tentei propor para o que já era. É assim: cada verso explicado um cadáver somado.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 12/28/2005. ##########
******Sábado.....
Um texto adaptado
Não
gosto das
coníferas. Floresce,
justificando o desgosto, um
pinho de pouco apelo às vistas: o meu
ódio pelo natal. Não gosto do natal. A árvore
é muito feia! Sem apelação, juro, é que sou mal acostumado
pelos ipês, que florescem flores! em várias cores e tempos diferentes.
Os pinheiros de natal são coníferas. Os pinheiros de natal são cones! Dizem
que é uma adaptação à neve. Nos países ricos, lá no norte, têm neve nas estações
Aqui, no sul, não tem neve na estação fria, mas tem pinheiros de natal. Dizem
que é uma adaptação à cultura. Lá no norte, onde há neve nas estações
frias, os pinheiros de natal, adaptados na forma de cone, são
as únicas árvores que conseguem sobreviver. Aqui no sul,
na estação fria, há muita chuva e muitas árvores
conseguem sobreviver. Não acredito
em tudo que vem do norte,
não consigo me
adaptar ao
natal.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 12/24/2005. ##########
******Sexta-feira.....
As mulheres na modernidade
Simone: - Então, Virgínia, quer dizer que você mudou de provedor?
Virgínia: - Pois é menina, nem te conto... tudo de bom!
Simone: - É mesmo?! Abafa o caso, colega.
Virgínia: - Abafo nada queridona... agora é vida nova. Meu acesso é outro! Me sinto até mais jovem.
Simone: - Me amarrota, Virgínia, que eu tô passada. Confessa, aquele seu provedor antigo era todo lerdão.
Virgínia: - Pois é, ninguém merece. Eu não te contei do babado?
Simone: - Babado forte? Ui... que tô precisando de atualização, não me esconda nada!
Virgínia: - Ele não tinha serviço! Tipo assim, eu só tinha direito a ter duas contas.
Simone: - Jesus... Mas qual é o nome desse seu novo provedor?
Virgínia: - Carlos Antônio.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 12/23/2005. ##########
******Segunda-feira.....
Um texto ridículo
TocToc - bati na porta do meu senso de ridículo, que prontamente me atendeu:
- TocToc? Só podia ser você mesmo. Realmente, vou te contar... é difícil.
- Calma, calma. Eu só gostaria que você...
- Calma nada! Quem mais poderia, não é? Essa onomatopéia patética, como você tem coragem de escrever Toc Toc?
- Não, me desculpe. É sobre um texto que eu estou...
- Desculpas? Que ousadia, rapaz... É mais uma das suas, não é? Aposto! Vai dar merda de novo!
- Não, não, calma. Dessa vez vai funcionar, a idéia é muito boa. É um texto, um diálogo que eu travo com o meu...
Capum! - bateu a porta na minha cara.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 12/19/2005. ##########
******Domingo.....
Ao fazer a prova
Oh! Perceba como é estranho. É algo que acontece com esta velha em sua tradição de terminar o ano com um pudim de leite. A senhora é uma exímia doceira, mas o pudim de final de ano nunca se resolve. Acontece é que depois de preparado, ao tirar o pudim da forma, naquele momento em que ele se descola e a calda escorre melada em seu brilho trêmulo, a velha é estranhamente hipnotizada pelo doce. Ao sentir o pudim de leite a velha se transforma, um desejo contido parece forçá-la em estranha atitude, sendo um pudim catártico, realiza-se, então, um curioso ritual gastronômico de autodestruição. Seus instintos dominam o arbítrio, tornando-se irresistível fazer uma prova da iguaria. O extraordinário não está na gula da velha senhora e sim no modo como ela prova o pudim de leite. Não é na falta de uma espátula, faca ou qualquer outro utensílio adequado, que a velha utiliza uma motosserra, quando não é um serrote, para partir o pudim. Como pode querer separar do tão delicado manjar a prova - seu sumo, seu melhor - com instrumentos tão brutais.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 12/18/2005. ##########
******Sábado.....
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 12/17/2005. ##########
******Quarta-feira.....
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 12/14/2005. ##########
******Segunda-feira.....
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 12/12/2005. ##########
******Sábado.....
A confusa subjetividade do sofrimento nas intenções das melhores expectativas
Esperar...esperar.... até se exasperar. Era na véspera, pois o é agoura a hora. E agora? É agora. Tempo? Tempo! Tem pó de poder nas minhas têmporas, posso! Posso pois trato do que se trata, do que antecedia a noite. Amanhã ( ! )... são os entões. Acabou?
Calo-me pois a dor adorna o coração, a dor na alma, ou acalaboubucio-me no restinho de esperança. Por finos traços de pano que afiam trapos de planos em meu perfil, perfídia de si consigo = só. Mas, afinal, paraquedas?
para aprender francês ora bolas - por puro prazer- fazer das mulheres o violon d'Ingres. para aprender harmonia - por ambição intelectual- e compôr uma canção em tom menor que fará despontar a promissora cantora pop que ensaia na medíocre cena cultural da capital. para aliviar -me livrar- o peso das intenções nas melhores expectativas. para comprovar -por vaidade- aos meios sua função nas boas idéias. para alijar do peito a poesia - livrar-me- em uma biblioteca pública. para reciclar os sonhos - com todo cuidado- pisando em novos sertões. Tipote e Suzarte eram rastreadores ou leitores?
Quando fui também eu um viajor, via gente em vez de água, em jornada pelo nada, diante da pira me disse o ex-fingidor: obscureça-me ou te regurgito.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 12/3/2005. ##########
******Domingo.....
Política de cotas
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 11/20/2005. ##########
******Terça-feira.....
Àmiga
Mulher da tabuleta, não seja tão maleta das idéias, não percebe a impossibilidade deste seu método? Você quer lavar a vaidade em uma utopia que está entupida e, por favor, não me queira pelo ralo, sou sincero. Como os seus olhos, tão deodorínicos e tão bem esmeraldinos, puderam lhe trair, cegando-a em esforço vão. Como pode querer, em si, a façanha de Mendeleev?
Espero, ao menos, que entre os melhores elementos eu seja bem tabelado. Se não caibo na coluna das paixões - a faxineira e a mulher do Jucelino lá entendem a nossa química? - te peço, por favor, me encaixe na família dos bons amigos. E não se esqueça, mulher da tabuleta, de perguntar àquela sua faceta mais careta onde ela quer esconder a buceta, se não, podes acabar maneta...
És a alquimista do milkshake de baunilha, três vezes linda rindo certas risadas. Ao seu lado sempre, me pergunto quantos pés deve ter Afrodite. Ou quando debruça a cabeça no ombro projetando o corpo com as mãos sob as coxas, gangorrando os pés, confesso que isso me balança, no movimento deles? E fico tonto, reluto, dou voltas em volúpia nas volutas barrocas do seu cabelo.
E saiba de uma coisa, mulher da tabuleta, somos nós sensíveis até os dentes, os dois! E para a puta que o pariu quem discordar! Peço que não sejamos tão intensivos em tudo, tão apostílicos, certas coisas não merecem macetes, comprovemos a fórmula em uma longa demostração algébrica. E não se engane achando que sou homem sem fé ( um herege? ), pois saiba que acredito cegamente na vida pós-cursinho.
Mulher da tabuleta, não canso de lamentar que para entrar no seu coração seja preciso prestar vestibular.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 11/15/2005. ##########
******Domingo.....
Aos domingos um fenômeno muito estranho se manifesta na televisão. Não é falha da máquina, fantasmas são coisas mortas. É mais como uma imagem duplicada (alguém assistiu o Saramago no palácio das artes? Como foi? Eu não consegui ingresso, esgotados). Por cerca de uma hora parece que a MTV ( "ti vi", diga em bom burguês) migra, tomando outros canais, se replicando em imagem e, principalmente, som. Eu não me incomodaria se o canal hospedeiro não fosse o público, a Rede Minas.
A mesma estética, as mesmas músicas, os mesmos trejeitos, os mesmos vídeos, as mesmas informações (retiradas das revistas importadas de "showbisness"), o mesmo apresentador? Sei lá, mas ontem eu me zanguei feio. Durante esse fenômeno de transmutação - é cópia mesmo - que ocorre no programa "Alto-falante", um babaca estava bradando de ódio contra os belohorizontinos, dizendo que são todos jecas, a cidade também era jeca para o incaulto. Envergonhou-se por nós o homem, pois, vejam a arrogância, ninguém foi ao show do Elvis Costello, uma roqueiro inglês. Teve a empáfia de ameaçar os telespectadores, pois dessa maneira, segundo o tal, a cidade continuaria com sua mediocridade. É mole?
Vergonha é perceber que a famigerada indústria musical encontrou seu lugar de atuação na televisão pública. Ao menos espero que o jabá seja alto, pois caso a adoração que o programa mostra aos produtos vendidos for sincera, este é um sinal grave. A indústria musical quer o lucro imediato e por isso atua direcionando o consumo, pregando a homogeneização cultural, agindo contra a diversidade e defendendo um cosmopolitismo monótono e achatador.
Não sei do pobre desgraçado, mas para a rede há esperanças. Amanhã às oito horas da manhã haverá uma entrevista no programa "Opinião Minas" com o filósofo italiano Domenico de Masi. Segundo o renomado professor, o Michael Jackson e a Madonna são mais eficientes que bombas na dominação de outros povos, ambos causam destruição em massa.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 10/30/2005. ##########
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 10/23/2005. ##########
******Sábado.....
Estudo sobre o decote
Não estou poupando esforços na minha pesquisa sobre o decote. Com afinco e embuído do espírito científico tenho examinado dezenas de exemplares para melhor compreender a natureza dessa poderosa arma de sedução da fêmea humana. Apesar de ainda estar nas preliminares desta investigação e levando em conta que nesta etapa, seguindo a rigidez do método, não se deve ter pressa, já posso chegar há algumas conclusões.
Nas minhas observações tenho percebido que o tamanho dos seios, ao contrário do que o senso comum acredita, não é o fator proporcionador fundamental da apreciabilidade masculina. Constatei que a característica responsável pelo fascínio do macho é a profundidade do decote, uma vez que esta se relaciona diretamente com a sugestão. O decote eficiente (demonstrador da inteligência de quem o porta) não é o que expõem mais, e sim o que é capaz, através do que não mostra, provocar a imaginação do observador e ativar sua mente no trabalhalho de construção da imagem do prolongamento do que foi exibido, no exato instante da observação.
Reflito sobre a primeira lei do decote, que enuncia a proibição de encará-lo diretamente. Penso que se deve ter máxima descrição na apreciação, deve-se lancear rapidamente os olhos afim de se evitar um constrangimento. A portadora não deve se sentir subvertedora das das regras sociais, podendo, como consequência deste constrangimento causado, ser considerada vulgar e exibicionista. No entanto, o observador deve se certificar que a breve atenção dada à artimanha da fêmea foi percebida por ela. De acordo com a minha pesquisa de campo esta é melhor maneira de se valorizá-lo, justificando à dona do decote a sua função de sedução e atração, tornando-a sexualmente bem sucedida, ativando-lhe os melhores instintos.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 10/22/2005. ##########
******Quinta-feira.....
maU vidaDú
Os loucos são conscientes da própria loucura? Essa é a dúvida, não posso parar que penso nela, mas se não paro de pensar, de que adianta ficar parado? Não sei e me enlouquece não saber, e uma vez que eu sei do enlouquecimento de não saber quer dizer que não sou? Continuo não sabendo e ficando sem saber quer dizer que já enlouqueci? Sei cá, sei lá, as idéias andam meio embaralhadas no meu entendimento interno.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 10/20/2005. ##########
******Domingo.....
Travessia
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 10/16/2005. ##########
Moto-Perpétuo Caipira
No sertão não há termodinâmica que se sustente, a energia flui e se transforma sem perder o vigor. Helena Meirelles se encantou mas sua música ainda toca, ganha eco nos bichos do pantanal, libertos do bojo da viola quando bem ponteada. As flores da Guavira se abriram em homenagem uma última vez, agora ela é ser vibracional liberta dentro do tudo. O velho Sarapalha se entristece e faz um rasqueado triste quando o mote é de morte, desliza uma melodia no braço da viola e bate um arremate firme. A roda não pára no sertão e não faz rodeios ao se perpetuar por novas gerações, se transformando sem perder a beleza da pureza caipira.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 10/16/2005. ##########
******Sábado.....
"Uma mentira pode correr meio mundo antes que a verdade consiga calçar as botas." - James Callaghan
- Tá certo, digamos que foi uma meia verdade.
- Meia verdade meia calabreza, essa é boa... A verdade é grande demais, é isso? Saiba você, com sua faca afiada em ilusões, que meia verdade corresponde uma mentira inteira.
- Não desatine, você exagera. Já pensou na merda de mundo que seria sem a santa hipocrisia nossa de todo dia, nem eu me toleraria.
- Já sei, já sei... Vais calçar a meia culpa, se justificar com o seu velho papinho barroco, os homens atuando em um grande teatro... Mas acontece que nesta farsa não se representa dois papéis ao mesmo tempo, meu amor, uma máscara por vez.
- Odeio quando você me chama de seu amor, não ironize assim...
- Ãhhh... então não é de uma tragédia que estamos tratando? Solucione o caso então, me diga se o amor ocorre entre os personagens ou entre os atores.
- Simplista como sempre, desista!
- Sim, simplista eu aceito, afinal de contas a sua complexidade é tão grande quanto a de um paramécio. Olhe bem, te aconselho pois sei que é a sua vaidade que te faz mentir assim.
- Está me chamando de vaidosa?
- Você? Não, me desculpe, estou falando com aquela ali no espelho, aquela ali se esforçando em uma cara de espanto.
- Tolo... Suas ironias são rasteiras.
- A sua vaidade quer o papel mais importante da peça, não é? Mesmo que tenha que encarnar a figura do vilão você quer ser protagonista. Está aí a razão para as mentiras, afinal de contas você tem que dar coerência ao personagem que a sua vaidade construiu para você. Agora você entende que a vaidade é a paixão que dá valor às coisas? Sinto lhe setenciar, mas com essa máscara você nunca amará ninguém.
- Empafiado de bosta! ... eu te amo.
- ...
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 10/15/2005. ##########
******Sexta-feira.....
BLAGUE
Cansei desse blábláblá-blogue - coisa de burguês! - desse ridículo apelo infanto juvenil, não sou poeta contra-industrial... Ora bulufas! E antes que novamente acusem, me defendo: quem trai o movimento é âncora! Fosse eu o band leader que figura na surf music mineira? Nusgas! Ora, patavina alguma! Música de obra para mim é pagode. Estou é velho, entrando em falência ideológica. Começando a descobrir a vulgaridade dos palavrões. Os tucanos já não são tão assim. Envelhecer é ir se tornando igual, todos buscam o novo para se diferenciar, diferir, então, é não buscar? Por nada será? Digitar é preciso? Faço parte de nenhum coletivo revolucionário, meus ídolos são ninguém, vivem no futuro e renegam o passado que é agora. Sou fã é do potencioso porvir daqueles que não são. Me vejo é nos que não são vistos. Salve àqueles que ainda estão para nascer. Existir para quê? Carlos Drummond à vontade no canônico metal da estátua de Copacabana, para mim é um fantasma ferido, perfurado pela ponta da lança que humor do BrunoBrum afia. Pra propor uma nova programação das redes de televisão? Formar um ataque suicida? Mas praquê querer ser um alter-poeta inventivo sem saber o que é que Makely qué? Desafiar o poder? Pregar uma religião que alfinete os bons costumes? Desfilar esse meu eterno, justo, querer escrever em alta costura? Defender uma causa ecológica? Ir contra os mexilhões dourados que se alastram pelo rio da prata. Olhe aqui... meus erros de concordância são primários, de chocar secundarista! E definitivamente digo, não curto a cultura dos tipos cults, nunca, soprando meu repito, farei parte de uma comunidade do Orkut. Nunca! Fazer revival de um babaca dos anos oitenta? Levantar a bandeira das novas tendências na haste flácida de novas tecologias? Discutir um escritor que ninguém entende? Porra, meu texto não tem fúria... Começo a gostar dos que fazem mais, mesmo que da maneira errada. Fudeu... Nem sei introduzir a finalização. Concluindo:?!
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 9/23/2005. ##########
******Quarta-feira.....
Vestibular e desigualdade
Namíbia, Botsuana, Rep.C.Africana, Suazilândia, estes são os quatro países do planeta onde a concentração de renda é maior do que a do Brasil - dados do BIRD (banco mundial). Ao publicar o listão da desgraça mundial o banco fez a ressalva dizendo que no Brasil falta um capitalismo mais avançado. Não entendo o que significa ter um "capitalismo avançado", para mim essa expressão é uma contradição de termos, o capitalismo, tal qual vivemos e é vivenciado nas potências mundiais é um retrocesso. Não consigo desassociar o capitalismo da desigualdade, como a causa da consequência. Não acredito que seja possível que exista capitalismo sem pobreza, para mim, o que desquilibra e pesa na balança é a ganância do capital.
Mas acredito que o banco acertou ao ressaltar que a desigualdade brasileira é baseada na perpetuação da elite política e econômica no poder. E se considerarmos a educação como a maior força de inclusão social, se ela é a esperança do Brasil e da Namíbia para reverter esse quadro de desigualdades, o vestibular é a grande arma das elites para se perpetuar no poder. Umas vez que oferece de bandeja as vagas das universidades públicas, custeada com o dinheiro tirado dos pobres, para os filhos dessa classe dominadora.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 9/21/2005. ##########
******Sábado.....
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 9/10/2005. ##########
******Quinta-feira.....
A grande saraiva de independência
Feriado no Brasil, mais um patético sete de setembro, com seus desfiles toscos, seus decrépitos ansiões caducos fantasiados de moita e a impreterível e extraordinária pirâmide de soldados na motocicleta. Tudo como o de sempre, talvez com um pouco mais de barba, mas fora isso...!!!
Em Belo Horizonte, capital da instabilidade - não só política - e do inesperado, o dia não foi tão aborrecido como o das outras cidades da república. Eis que no curvar da noite um temporal assustador tingiu as ruas de branco, uma saraiva, como nunca vista antes, cobriu as alterosas num susto. A força impiedosa do gelo quebrou vidraças, arrombou o teto de algumas casas, derrubou árvores e fez interromper a distribuição de energia elétrica em alguns bairros. O barulho da tempestade somado ao estrondo dos golpes de granizo nas janelas e ao alarme dos carros disparado pelas pedras, criou um ambiente caótico, um clima de confusão, de salve-se quem puder. O sensação de desordem tomou o horizonte por alguns minutos, a perturbação violenta do ambiente gerou uma ansiedade nas pessoas, o instinto de sobrevivência foi ativado. Surge daí uma necessidade vital de ação, de revide contra o distúrbio, tão fugaz quanto a chuva. Mas que pode ser um marco, que vale o revertério do dilúvio e de seu estrago para, então, o descoberto gerar frisson.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 9/8/2005. ##########
******Terça-feira.....
Hotel Maravilhoso
Marina - o maior achado. Ela é panta rainha, a travessia em si! Ela é camaleoa, a concretização em fenômeno estético de inquietações íntimas. Quando ela canta a liberdade sai do palácio e sobe no palco! Em Minas Gerais a liberdade está aprisionada em um palácio, foi sequestrada e ninguém quer pagar o alto preço do resgate. Assim ela provoca! Ou será que com o seu canto nos palaciamos e assim somos cativados, dando cativeiro? Não sei e não consigo esquecer a imagem dela empunhando com violência uma máquina de tosar, em pleno espetáculo, cortando os próprios cabelos em um ritual de sacrifício. Marina Machado nos prova que a liberdade quer sair de lá, tem e deve ser hóspede de todos!
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 9/6/2005. ##########
Pelo-pêlo
A minha luta é pela palavra! É na tentativa de conquistá-la que este blogue resiste.
Por ter sido criado dentro das cercas do capitalismo globalizado a minha sensibilidade está condicionada aos impulsos do consumo. As minhas liberdades estão perdidas em meio às ilusões construídas pela mídia, minha revolta é controlada por uma sutil-censura introjetada sem pressa - nada de Dops, os esquema é tipo drops, sem surra mas eficiente. Por isso, a real batalha deste Diário de Ovelha é contra a dificuldade em mostrar descontentamento, essa deficiência é o grande mal da nossa geração. Para tentar, através da palavra, desatar o nó da forca que nos força o silêncio.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 8/30/2005. ##########
******Sábado.....
O cordeiro e o lobo - fábula escrita por La Fontaine
Na água limpa de um regato, matava a sede um cordeiro,
quando, saindo do mato, veio um lobo carniceiro.
Tinha a barriga vazia, não comera o dia inteiro.
- Como tu ousas sujar a água que estou bebendo? - rosnou o Lobo a antegozar o almoço. - Fica sabendo que caro me vais pagar!
- Senhor - falou o Cordeiro - encareço à Vossa Alteza que me desculpeis mas acho que vos enganais: bebendo, quase dez braças abaixo
de vós, nesta correnteza, não posso sujar-vos a água.
- Não importa. Guardo mágoa de ti, que no ano passado, me destrataste, fingido!
- Mas eu nem tinha nascido.
- Pois então foi teu irmão.
- Não tenho irmão, Excelência.
- Chega de argumentação. Estou perdendo a paciência!
- Não vos zangueis, desculpai!
- Não foi teu irmão? Foi o teu pai ou senão foi teu avô.
Disse o Lobo carniceiro. E o Cordeiro devorou.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 8/20/2005. ##########
******Domingo.....
Rudepoema - a quarta erupção da palava ao som da música homônima composta por Villa Lobos e interpretada por Nelson Freire - em 17min e 58seg
o azedume escorrega na garganta, desbota a cor da boca, bonecas em coro gritam para mim: " lá em cima do piano tem um copo de veneno quem bebeu morreu o azar foi seu..." retumbo com dor quente na escadaria a prole inteira girava na mente boneca de pano de boneca de madeira de boneca de louça descendo as escadas em direção a sala de concerto meio manco meio cambaleante vozes continuavam com delicadeza cruel de criança quanto mais eu andava mais baixo elas suspiravam no meu ouvido ..lá em cima do piano tem um copo de veneno quem bebeu morreu.. me arrastando sem conseguir estancar a ferida o sangue jorrava manchando a trilha por onde passava secreções pustulosas se misturavam ao vermelhoverdebranco um rio de matéria preciosa brotava desabrochando a dor que ardia à degraus sentia as dentadas das navalhas que ia pisando o cheiro forte com gosto de ferro que doia escorrendo mais recordações origames de memória que atirava em si ondas onde minha mãe de maiô lá no parque das magabeiras urrava feito um animal no natal em cima daquele triciclo amarelo foi que eu caí na escola um osso acabara de quebrar meu baço se destacou do corpo na vontade de espirrar minha traquéia torceu rachou o nosso primeiro beijo uma vez agora escuto de um outro andar mais elevado que alguém está bebendo o piano
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 8/14/2005. ##########
******Sábado.....
a fronte praecipitium, a tergo lupus
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 8/13/2005. ##########
******Sexta-feira.....
Possuído - a terceira erupção da palava
Era uma pequena poça sobre o piso cerâmico do banheiro, a forma volúvel do fluido tensionava a superfície e na iminência do transborde um contorno foi sustentado. O golpe do aparição decretou estado de sítio no meu corpo, estava sendo gerido pelos instintos, que nada fizeram a não ser me colocar em posição de alerta, completamente aturdido, encarei aquela poça. Era perfeita e suicida.
O relevo bojudo dava-lhe uma aspecto especial, o âmago era abaulado e se adelgaçava em direção à periferia criando um sombreado incomum, a sensação de profundidade era menos intensa por este fenômeno do que pelo contraste do reflexo da película com o opaco do piso. No meio de configurações caóticas o perfil delineado de uma linda vaquinha me ungiu de emoções. A força causada em mim por aquela representação hídrica, como filha bastarda do acaso, era de tal modo possante que não ousei respirar, esperando que um respingo d'agua a deformasse em poça comum e me desatola-se daquele interstício.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 8/12/2005. ##########
******Quinta-feira.....
Pé, goiabada e Bach - a segunda erupção da palava
São as coisas que me dão prazer: pé, goiabada e Bach.
O pé tem de ser feminino e delicado, o cascão só é necessário na goiabada. Esta, para ser daquelas, tem de proceder do mercado central, bem temperada com cravo é claro - como uma sonata de Bach. A textura é fundamental no doce e na música, a simetria dá o pé na fuga e harmônia no pé. Que pode ser tocado e lambido, mas eu não sei tocar Bach e adoro lamber goiabada.
Já percebeu como nessa vida tudo vem no terço, como o pai, o filho e o espírito santo? Ou naquelas meninas do Amaranto?
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 8/11/2005. ##########
******Quarta-feira.....
Metamagmatismo - a primeira erupção da palava
A idéia é ganhar ligeireza, escrever pelos cutuvelos, sem muito padrão, sem a preocupação de ser avaliado. Por isso tenho apenas 15 min contados neste reloginho que fica no canto inferior direito do "windows" para falar sobre... qualquer merda. Poderia ser sobre estas aspas que aprisionam o estrangeiro ou os pensamentos não republicanos que tenho tido com a primeira dama, dona Marisa. O que eu quero é o efeito do supositório no ato de evacuar as idéias, a cura para a prisão textual, quero ter uma diarréia vulcânica!
Irei utilizar também a técnica do cachorro bravo, desenvolvida pelo Henfil, em que se trabalha com uma fera atrás de você, pronta para devorá-lo. Não importando qual técnica, ou melhor, qual imagem mirabolante que se utiliza para demonstrá-la (merda, lã ou lava), o que me interessa é escrever o máximo possível em um tempo breve. E já se passaram 11min, tô fraco mas acho que de prima não está mal.
São movimentos tec-tônicos, isto é, textos cuja finalidade é apurar a técnica, deixar a linguagem mais vigorosa, propiciar a fluidez da escrita, para que eu seja capaz, de modo claro e rápida, expor uma idéia no papel - ou monitor. Acho difícil que você leitor tenho chegado aqui, no décimo quarto minuto, afinal esse "post" não foi escrito para você, aliás, acredito que os blogues geralmente servem ao narcisimo de quem os escreve, mas para esse papo já não dá tempo...
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 8/10/2005. ##########
******Terça-feira.....
"Sete navios de guerra
Pararam em plena enseada
Quem os fez estancar?
A peludinha sarada"
Chacal
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 8/9/2005. ##########
******Segunda-feira.....
PALAVA - método magmático de escrita
Terei 15 minutos para fazer a palavra irromper, arrojar-se das idéias - provocarei uma erupção verborrágica para que a escrita escorra. Para isso terei que discorrer sobre algo que incite a emissão magmática, no tempo de uma catástrofe natural, na emergência da palavra. O magma d'alma se transformará em lava torrente, para talvez se metamorfosear em algo-ígneo. Assim expelirei os meus pensamentos, em breve, nos próximos capítulos desse blogue.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 8/8/2005. ##########
******Domingo.....
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/31/2005. ##########
******Sábado.....
Vilarejo turco lamenta suicídio de suas ovelhas ISTAMBUL, Turquia - A primeira ovelha saltou para a morte. Em seguida pastores turcos estarrecidos, que haviam deixado o rebanho pastando enquanto tomavam seu café da manhã, assistiram enquanto outros 1.500 animais seguiram o primeiro, todos saltando o mesmo penhasco, informou a mídia turca nesta sexta-feira.
Ao final, 450 animais mortos jaziam uns sobre os outros em uma grande pilha branca, afirmou o jornal Aksam. As ovelhas que tentaram pular depois foram salvas conforme a pilha aumentava, amortecendo a queda, reportou o Aksam.
"Não há nada que possamos fazer. Foram todas desperdiçadas," teria dito, segundo o jornal, Nezvat Bayhan, um membro de uma das 26 famílias cujas ovelhas estavam pastando juntas no rebanho.
O prejuízo estimado das famílias na cidade de Gevas, localizada na província de Van, no leste do país, chega a US$ 100.000 (84.000 euros), um significativo volume de dinheiro em um país onde o produto interno bruto médio per capita fica na casa dos US$ 2.700 (2.268 euros).
"Cada família tem um média de 20 ovelhas," disse outro morador, Abdullah Hazar, segundo o Aksam. "Mas agora apenas algumas famílias tem ovelhas sobrando. Vai ser duro para nós."
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/16/2005. ##########
******Domingo.....
Verdade prostibular
Sou puto e não sei de quem cobrar pelos préstimos - antes estivesse, para putaria em estado há sempre esperanças. Descobri pela graça do samba que estou sendo usado, quem já se reconheceu em "O mundo é um moinho", do genial Cartola, sabe do que estou falando.
Por todo esse tempo acreditei nos conselhos dados pelo poeta, o pó das minhas ilusões também. Sempre me considerei o amor do ainda é cedo e ouvi bem, prestei atenção, sempre acreditei na queda da minha vida pelas esquinas, são os meus pés os culpados pelo abismo. E imaginava que eu, como interlocutora, fosse uma amante fujona ou uma esposa arrependida, mas descobri que este samba foi composto pelo Cartola para uma filha sua, que acabara de se tornar prostituta. E por isso me sinto puto também, e quero saber quem anda triturando os meus sonhos mesquinhos, quem anda reduzindo as minhas ilusões...
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 6/5/2005. ##########
******Quinta-feira.....
Nonada
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 6/2/2005. ##########
******Quarta-feira.....
O encontro do Uakti com Matitaperê - variação I
Par-lenda. Negaram-lhe fumo, disse que voltaria trazendo a morte, Mati apareceu como nunca, fez vibrar a brisa de abril, foi pau e pedra pra todo lado. Seus redemoinhos sopravam as chagas do índio, fazendo-o soar como gigante, Uakti, agora, era o Grande-Pan e suas pegadas encurvavam o vento.
No início cada passo seu era uma expectativa, uma aproximação, o ar de tensão era transformado pelos suspiros, solucionadores acordes de piano. Ao seu lado, vindos de uma gruta profunda, surgiram os abissais Trilobitas, com garras compridas eram incomuns no passo, mas precisos.
A trama se transformou com a entrada das marimbas, feitas de vidro, vindas do céu, seu toque divino repetia o índio Uakti, que ao se escutar parou. Era o fim do caminho, o resto de toco, era a brisa fria abrindo a primavera, a promessa de vida, o belo horizonte.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 6/1/2005. ##########
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 5/25/2005. ##########
******Terça-feira.....
A mente é o instrumento da vida
I N S T R U M E N T E
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 5/24/2005. ##########
******Domingo.....
- Tome mãe, agasalhe-se contra o frio das minhas frustrações,
proteja-se com esta lã, ao menos para ti, valiosa...
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 5/8/2005. ##########
******Terça-feira.....
Louca de boa!
Andando na avenida Contorno, após desembarcar do Circular-002, em um estranho instante de lucidez, tive a certeza da minha inaptidão para a vida. Estavamos aqui em mim: eu, aquele outro que sempre conversa comigo, e o terceiro, que costuma aparecer de vez em quando, para analisar a conversa do eu com o outro. Houveram acusações graves, traumas vieram à tona, tentei ponderar, mas não tive como, conheço todos os meus contra-argumentos. Debatemos e constatamos o meu fracasso. Mas o que me apavorou e ainda perturba, foi ter continuado andando...
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 5/3/2005. ##########
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 2/1/2005. ##########
******Segunda-feira.....
(conseqüente (e sub-conseqüente)
adoro as Palavras, e gosto dos acordes (as sensações sonoras das letras são mais do que as das notas (nada é melhor do que descobrir palavras novas (esse ano eu leio o GrandeSertão (me lembro criando palavras: metropône, camundengo, congeloso, aurículo-viário (essa saiu agora) gosto das palavras que arranham, mas não basta raspar ao redor, como o roedor da roupa do rei de Roma faz (prefiro as traças que devoram lá dentro do Petrarca) estou sempre postergando (nossa! que palavra dissonante) ) só poderia ser assim: existem tão poucas notas (mesmo com os sustenidos e os bemóis) para tantas letras (mesmo sem os sustedáblios e beipslongues (é engraçado... passou o tempo e a trema não pegou tanto quanto Trento (que saudades do pessoal do truco) coisas do mal dito ocidente (escrevo assim mesmo (para que o significado se aproxime so significante) bemfeito ao ocidente(
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 1/3/2005. ##########
******Quarta-feira.....
Dorme sereno o algoz, contabilizando o rebanho...
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 12/1/2004. ##########
******Sexta-feira.....
Se correr o bicho pega, V=Vot+a.t se ficar o bicho come... Mi, minha fiel colega de blogue, é que está certa: estou E=m.c2 ficando louco, mas os loucos não são aqueles que perderam tudo d=m/v menos a razão?
Amanhã Ec=1/2m.v2 é o dia, serão 15 questões de cada diciplina, A=1/2a.b.sen e eu só posso errar 2 questões de cada, fazendo uma soma maior que 100 pontos. Que as forças do acaso atuem ao meu favor, que a ceratonina conflua no momento exato. V2=Vot2+2a.d Agradeço à todos que por aqui passaram e tiveram a D = vot + 1/2a.t2 generosidade de escrever uma mensagem, espero ter a oportunidade de PV=n.R.T continuar escrevendo estas linhas no próximo mês. Y-Yo=A(X-Xo) Amplexos....
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 11/26/2004. ##########
******Terça-feira.....
De si consigo ogisnoc is eD Sou um habitat de seres que desconheço. Refletindo parece que alguém, que não é o que parece que sou, está prestes a me tomar, dando-me um bote. Criaturas do profundo eu a espera do momento propício para sairem do meu esconderijo. Onde moram senão dentro de mim?
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 10/26/2004. ##########
******Domingo.....
A caixa úmida O dia estava frio, clima que não se mede em termômetro, era um dia preguiçoso, que ia se desenrolando lentamente. Na fila havia poucos pessoas para serem atendidas, uma senhora, com a calma que esse tempo dita, transportava com delicadeza as compras do carrinho para o balcão rolante, uma a uma, concentrada em cada gesto. Um pacote de suspiros era o que restava, "dois reais e trinta centavos" disse a caixa já somando o total das compras. A senhora responde mostrando as dentaduras, consentindo para a finalização da operação. Mas em um gesto curto e rápido, destoando do dia, ela pega dois pequenos vasos que estavam em um canto. Duas pequenas plantas que alguém havia desistido de comprar e por ali ficaram, as duas pequenas avencas foram profundamente analizadas pela senhora experiente em samambaias. Ela as mostra para a caixa que digita um determinado valor.
Feliz em ter encontrado aquelas belas espécimes ela já ia se preparando para fazer o pagamento, a mão na bolsa. Estava tão feliz que sua alegria aproveitou o momento para quebrar aquele clima frio e perguntou olhando para a caixa: "Será que elas dão muito trabalho para cuidar?" A caixa, querendo ser a mais prestativa e sendo solidária àquela atitude corajosa da velha senhora, responde: "Que nada, elas só precisam é de muita humildade." A velha senhora concordou com todas as forças que lhe restavam.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 10/10/2004. ##########
******Quarta-feira.....
Questões éticas e morais do além-mar Do "Diário de Lisboa" em Portugal: (O texto está em sua forma original).
"Com toda esta polêmica a propósito da clonagem, uma grande pergunta urge colocar: Alguém que tenha relações sexuais com o seu próprio clone, é homossexual, está a masturbar-se ou se fudeu ?"
(chegou na minha caixa de emails)
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 8/18/2004. ##########
******Terça-feira.....
Encalhado Na frente do espelho me vi triste, tristeza que não sentia, mas estava lá, refletida. Acendi uma lâmpada mais forte para ver melhor, e a tristeza permaneceu, ainda mais explícita. Me remexi por dentro em busca de uma explicação para a aparência sem razão de estar, me questionei assustado. O olhar vago de quem está pensando na morte da baleia.... a morte da baleia jubarte no litoral do Rio de Janeiro. Mas ela merecia tanto abatimento? Os caminhos do pensamento são tortuosos, seguem em um mar de instintos, oceanos e sub-oceanos, mas que pode acabar encalhado. Naquela areia, imóvel e sem poder de reação, depois de anos e anos de batalha, era eu?
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 8/10/2004. ##########
******Domingo.....
Anarquista! Alex Polari O anarquista que há em mim se junta com o ingênuo que há em você e propõe: "vamos fazer uma República Utópica?".
O princípio da realidade passa com a sirene aberta, pára e nos autua em flagrante.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 8/8/2004. ##########
******Sábado.....
Vida de pingüim é pior Para os estressados, tensos e mal-humorados, uma dica para o relaxamento: arremesso de pingüim. Eu que sempre reclamo da vida de ovelha, não sabia do sofrimento dessas pobres aves. Elas são arremessadas por um brutamonte das neves, que espera as coitadinhas, felizes e simpáticas, descerem de um escorregador para lhes dar o golpe. Pingüim é ave e não voa, nada, elas podem voar.
Quem bater o meu recorde de 321 metros de distância ganha um prêmio ! ! !
Dica: o segredo é pegar o pingüim mais embaixo, para que ele possa deslisar na neve. É como arremessar pedras no lago, tem que dar uma quicadas na superfície para ir mais longe.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 8/7/2004. ##########
******Quinta-feira.....
Sonho
No instante h
do meu sono
como alarme
soou a preocupação: não posso contar ovelhas...
*um versinho feito no entre-aulas.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 8/5/2004. ##########
******Quarta-feira.....
O país de margens flácidas Não é a educação o que sustém uma grande nação?
E o maior sintoma da osteoporose avançada não é a resposta deste aluno, um grito de socorro, e sim a pergunta meã da professora.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 8/4/2004. ##########
******Terça-feira.....
"Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!"
Mário Quintana
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 8/3/2004. ##########
******Segunda-feira.....
Sorria, você está sendo torturado! Que pânico essa nova onda de cameras digitais, a sensação de estar sendo observado e fotografado é cada vez maior, os paranóicos têm mais razão do que nunca. Nem torturar mais uns subdesenvolvidos em paz elas deixam, tem sempre um indivíduo com uma dessas nas mãos, pronta para o disparo. Eu já estou providenciando a minha, vou sair procurando na rua alguém sendo torturado para tirar fotografias e jogar na rede. Quem resistir verá ou será visto! Nos próximos capítulos desse blogue.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 8/2/2004. ##########
******Domingo.....
Suicídio Não sei o que tinha comido, mas estava a mais de vinte minutos sentado na privada, sempre incriminam a maionese mas eu não havia dado chance a ela. Era outro prato que estava apodrecendo dentro de mim e queria sair imediatamente, uma cólica insuportável, alfinetadas incessantes. Devia ter uns treze anos, nessa idade só se come porcaria, pelo menos na minha procedência.
Lembro só de um pensamento que me marcou a vida, aquele piriri gangorra teve uma faceta existencial, acredite. Naquele momento de pura dor, se tivesse um botão que me desligasse, como um eletrodoméstico tem, eu teria feito. Teria me desligado da vida. Imaginei também uma pequena glândula localizada ao pé da orelha, quando apertada ela lançaria no corpo um hormônio fatal. Não, a evolução jamais permitiria uma falha desta, ao menos se tivesse alguma função reprodutiva, se os meus descendentes precisassem da minha carne para sobreviver por exemplo, mas não tem. Foi ali, diante do trono e de calças arriadas que percebi a dor, que sua vivência é algo que fundamenta a vida. Que os momentos de tristeza e sofrimento vão sendo sobrepostos uns sobre os outros para construir uma barreira de coragem, que nos faz mais forte.
Vida longa à César Augusto, vida longa ao tempo - Urge Dragon! Ave César! Magnificus, supremus: AUGUSTUS.
Divinus, superbus, vitalicius... Professor, dictator, imperator! - Hoje, dia primeiro do mês de agosto, quarto ano do terceiro milênio, completa-se sessenta e cinco anos que o etnólogo norte-americano Buell Quain se suicidou no alto Xingu, em meio aos Krahôs. Ninguém nunca me perguntou. E por isso também nunca precisei responder. Mas com certeza irão me perguntar sobre a estrutura do livro, o lado ficcional do romance, a existência de intertextualidades, sobre o protagonista, com certeza haverá uma questão sobre a linguagem do livro, o seu caráter metalinguístico. E eu precisarei responder sem ter medo de errar.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 8/1/2004. ##########
******Sábado.....
E aí, o Roque está morto? Me disseram que o Rock estava fazendo 50 anos de existência, mas na minha confusão acabei não acreditando, lembro-me dele quando ainda criança, já era um senhor de idade. Adorava vê-lo na TV, era difícil ver cor naqueles tempos e por isso se fazia uma atração nas noites de domingo, não sei se era este o motivo para o meu interesse, na época eu achava-o jocoso, criança tem disso. Sem dúvida o que me intrigava mais era o cabelo bicolorido, seria um doença congênita ou era um modismo? Mas ele parecia adorar aquele cabelo, vangloriava-se dele sempre que entrava no palco, imagine o sucesso que não fazia com aquela platéia formada só com mulheres eufóricas, era uma gritaria só.
Para mim ele já estava morto há tempos, e ingênuo perguntei: o Roque não está morto? Ficaram furiosos, hey hey my mind Rock'n Roll never die. Sem entender absolutamente nada daquela resposta em inglês, continuei, tentando encontrar um nexo qualquer: topa tudo por dinheiro? Agora sim eu os tinha provocado, me jogaram pedras e disseram que ele nada tinha com esses enlatados que aparecem na MTV, lixo da indústria musical falida. E aos poucos eu fui convencido que não se tratava do Roque, meu ídolo na infância, eles comemoravam era o aniversário do ritmo musical norte-americano, e isso lá é data para se festejar?
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/31/2004. ##########
******Sexta-feira.....
Essa vida de ovelha...
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/30/2004. ##########
******Quinta-feira.....
Na varanda da cidade Acho interessante que em toda entrevista mais informal que alguém de Belo Horizonte concede, seja artista ou político, acaba tendo como cenário o museu Abílio Barreto, é como estar na varanda da cidade.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/29/2004. ##########
******Quarta-feira.....
João Kléber é um gênio Ariano Suassuna sempre diz que não tolera o gosto médio, segundo ele até Shakeaspeare tem seus momentos de extremo mal gosto, mas momentos medíocres nunca. É uma característica do genial, sempre inquieto, buscando a superação do que já foi feito, nunca repetindo o que é comum.
Ontem, como o de rotina, meu incontrolável dedão da mão direita estava em batalha com o controle remoto da televisão, amigo do indicador que pelas manhãs sempre perde o controle do mouse. Aflito entre tantas opções, em espasmos e contrações, ele parou subitamente no canal brasileiro campeão no mal gosto, a RedeTV. A manchete no rodapé da tela dizia "Marido está leiloando a mulher grávida de nove meses", mesmo sabendo que a intenção desse sensacionalismo é esta, frear os impulsos frenéticos do dedão da mão direita, eu não tive como não parar e assistir aquele barraco. Estratagema dos mais imundos para sequestrar a nossa curiosidade.
Era o programa do João Kléber, o vilão número um da baixaria na TV, o casal estava no centro do palco sentado em um sofá. O apresentador aos berros tentava conter as senhoras da platéia, possíveis aposentadas carentes e desocupadas, todas indignadas com o rapaz que queria vender a própria mulher e o filho.
Existia uma linha grosseira que separava o real da representação, era visível que todos ali estavam sendo pagos para fazer aquela encenação, mas tudo aquilo era extremamente possível do verdadeiro. Em nenhum momento foi dito que aquilo era real e não um novela, para mim o teatro era explícito. Continuei assistindo, tentando entender, era uma novela ou uma representação das mais mal feitas. Com certeza a moça e o rapaz protagonista não eram atores profissionais, a moça sempre calada e ele argumentando sem parar: queria vender a mulher por dez mil reais, e para levar o filho como brinde teria que haver uma negociação.
Mas o ápice do drama, o momento de genialidade do programa, foi quando ele confessou as razões daquela atitude extrema. Ele queria vendê-la em três prestações sem juros porque a mulher gastava demais no cartão de crédito, ele não aguentava mais sustentá-la.
Perceba o refinamento da crítica que o João Kléber quis fazer à nossa sociedade de consumo. O marido devedor resolve vender a própria amada e o filho, afim de saldar dívidas feitas por ela no cartão de crédito, momento Shakesperiano na RedeTv. O pior, o que é de arrepiar, é essa linha entre o real e a representação, uma situação tão absurda como essa pode se passar como verdadeira. Uma história sobre a miséria humana a mais no nosso repertório.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/28/2004. ##########
******Terça-feira.....
Dúvidas Será que a vida é somente aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro, como disse Jonh Lennon? Então os planos nunca se realizam, e se realizados são sempre sobrepostos por outros?
Somos inacabados então, nunca atingiremos a plenitude, estamos sempre um passo a frente de nós mesmos e sempre atrás daquilo que queremos ser. Uma flecha lançada que nunca atinge o alvo, mas está sempre suspensa no ar voando em sua direção. Mas se nunca atingido, qual é a sua função? Um obstáculo final em uma trajetória infinita para quê?
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/27/2004. ##########
******Segunda-feira.....
Vestibular segundo o Houaiss:
VESTIBULAR
2 -Rubrica: anatomia geral.
relativo ao vestíbulo da orelha ou da vagina.
...vivendo e aprendendo.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/26/2004. ##########
******Domingo.....
O "jeitinho" argentino Quando eu digo que o futebol brasileiro está no seu ápice, no seu cume, no ponto mais alto de toda a história, me chamam de louco. Nunca no nosso futebol houve uma fase tão boa quanto na última década, desde o tetra-campeonato nos Estados Unidos a seleção só vem criando novos craques e acumulando títulos. Na próxima copa do mundo podemos nos perguntar: Brasil e quem na final? Já que nos últimos três campeonatos estivemos lá, quando isso ocorreu na história?
Nossa supremacia ficou clara hoje com o time B, batemos a seleção oficial da Argentina, desmoralizando de maneira humilhante o arquirrival latino: uma final histórica da copa américa.
Com um gol em cada final de tempo, levamos para os pênaltis e não demos a menor chance. Uma verdadeira lição para quem canta vitória antes dos dois silvos longos finais.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/25/2004. ##########
******Sábado.....
- Ovelhas de todo mundo, uivemos!
- Cala boca sua histérica, não atrapalha! E quem uiva é lobo... ovelha tapada.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/24/2004. ##########
******Sexta-feira.....
Um toque feminino Andréia Neves, que pancadão de mulher! A primeira dama de Minas, presidente do Servas, irmã do Aécio-pega-baranga-carioca do pó.
Quando ela cacelou o Palavra Cruzada e despediu o Gilberto Menezes da Rede Minas, eu estranhei e pensei que talvez fosse a praxe numa mudança de governo. Afinal de contas, o jornalista, com aquela cara de seminarista bem comportado, alfinetou o FHC e os afins durante anos. Mas ai ela foi tomando gosto pelo doce e resolveu testar seu poder na globo e conseguiu afastar o editor chefe da redação mineira, depois da denúncia em rede nacional do mercado de crack que existe no centro de Belo Horizonte. Em nome da boa imagem de Minas Gerais ela continuou. Até o Jorge Kajuru pensou que estava imune e mostrou pra todo Brasil a festinha particular do governador, 10.000 convidados, políticos e artistas no Mineirão. Rádo Itatiaia e Inconfidência, dezenas de denúcias no sindicato dos jornalistas.
Mas a pior presepada é imperdoável. Logo que chegou no poder, o jovem governador com suas modernas técnicas de administração, seu choque (1,5 volts) de gestão e sua parente mal amada, fez um corte substancioso na verba da cultura. Pressionados, a comissão da secretaria tirou os dois maiores expoentes da música mineira da atualidade, Marina Machado e Flávio Henrique, da lista dos artistas que recebem incentivo do estado. E isso só aconteceu porque eles apoiaram o candidato petista, Nilmário Miranda, nas eleições para o governo de Minas. Impedindo-os assim de gravar um novo disco. O tacão implacável de Andréia Neves atua impune em Minas Gerais.
(será que esse blogue estará no ar amanhã?)
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/23/2004. ##########
******Quinta-feira.....
Apertando o miolo de pão congelado O segredo é o tempo de exposição à radiação, não deve ser muito e se for pouco a consistência necessária não é atingida. É fundamental o uso de ondas eletromagnética de alta frequência sobre a massa, que deve estar abaixo dos zero graus de temperatura. O objetivo é um descongelamento desigual, caso fosse feito naturalmente, simplesmente deixando-o em contato com a temperatura ambiente, o cerne do pão não alcançaria as qualidades de apreciação do tato. Utilizando um forno de microndas, com poucos segundos consegue-se que a camada externa amoleça e desprenda-se, mas deve-se ter cuidado na programação do tempo e sua relação com a potência do emissor, para que o íntimo do pão se mantenha intacto.
Depois de algumas experiências vai se dominando a técnica e o resultado é cada vez mais satisfatório. A cor ideal do miolo é branca, mas não o pálido usual, uma folha de isopor ou um floco de neve são boas referências para a intensidade que o branco gelado deve apresentar. A aparência deve ser esponjosa, com visíveis poros, que se perderão com o aumento da temperatura - este fenômeno é a razão de tudo. Devido ao comportamento anômalo da água (ao contrário das demais substância, ela perde densidade com o abaixamento da temperatura), o miolo congelado possui maior volume do que o miolo em temperatura ambiente. Os poros criam espaços que se preenchem de ar e a contração destes pela mão será um dos principais causadores da boa sensação.
Atendidas todas as etapas corretamente: choque térmico com as microondas e a retirada da camada exterior; chega-se ao produto final, o sumo, matéria com qualidades físicas únicas: o miolo congelado de pão. O procedimento agora é o mais simples, pega-se o miolo com todo o cuidado para não afetar suas características e posiciona-o sobre o plano da mão. A troca de energia começa, ela corre na diferença de temperatura da palma quente. A sensação não é causada simplesmente pela baixa temperatura do miolo, a textura, a consistência incerta, sua aparência sólida e seu cheiro colaboram para a criação de um momento único. Seguindo o reflexo natural começa-se a fechar os dedos, espremendo o miolo contra a palma, o prazer da excitação do tateio atinge o máximo de intensidade. O gelado vai sumindo na medida proporcinal da pressão do dedos, até que todo anti-vapor acaba e o evento se dissipa. O que sobra no centro da mão, como de volta ao seu local de origem, depois de lhe sugar energia necessária para mudar o aspecto, é o miolo mole.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/22/2004. ##########
******Quarta-feira.....
Especial Na Macdonalds um garoto irritado na fila, de "fast" não tem nada - esbravejava o pensamento, quase quebrando o silêncio dos bons modos.
Já fazia um quarto de hora que estava plantado na fila, e aquele cheiro, até isso é padrão - já resmungava pelo canto da boca.
Quem passava devia pensar que aquelas caretas todas eram de fome, e a fila que não anda - comentou com o companheiro ao lado.
O pedido já estava visto e revisto, o dinheiro na mão, será que tem outro caixa vazio? - perguntou à funcinária que coordena o tráfego das filas.
Pronto, depois que a senhora da frente e o neto resolveram pelo MacLancheFeliz, era a sua vez. Bom dia! Qual é o seu pedido? - o mesmo sorriso padrão, parecia que a funcionária estava usando a máscara do empregado do mês. E foi isso que o levou a loucura, um acesso de ódio ao consumismo ali, bem ali, logo ali, no seu altar máximo! E com a mesma feição vaga e impessoal fez o seu pedido:
- Eu quero o meu com carne de crianças iraquianas, por favor.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/21/2004. ##########
******Terça-feira.....
Cody's Burger Lalino Salãnthiel, personagem aposentado, já foi um cabra famoso no sertão mineiro, diziam que ele chorou na barriga da mãe, e como natural consequência era compadre das coisas, enxergava no escuro, sabia de que lado vinha a chuva, e escutava o capim crescer. Mas hoje ninguém sabe mais quem foi Lalino, o marido pródigo, vive isolado no esquecimento em uma casinha simples do interior. De quando em vez uma senhora reconhece o danado pelas ruas, todas se espantam de ver ele tão esfarrapado, um ovo depois da dúzia - comentavam.
E foi tentando sair dessa situação que ele resolveu abrir o seu pequeno negócio. Pensou primeiro em vender chupe-chupe, pé-de-moleque ou maria-mole, mas seu compadre João Manico lhe disse que para essas coisas não existe mais freguesia.
- O negócio é o tal do bife com pão, "hamburgue" que chama. - aconselhou o compadre.
E assim resolveu inaugurar na cidade a primeira carrocinha de hambúrgueres, foi vender nas escolas a tal novidade. E como estratégia de "marquetim", outra idéia de Manico, ele homenageou a cidade natal de seu autor batizando a carrocinha de "Cody's Burguer".
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/20/2004. ##########
******Segunda-feira.....
A imagem de Minas Que ridículo é essa votação da imagem de Minas, eu não votei. Já não disseram que são muitas? Cada um tem a sua, mesmo se todos olharem para as mesmas estátuas ao mesmo tempo, cada um reage de um jeito, uns não acham a mínima graça, outros ficam ali paralisados e chocados com tanta beleza. Eu não sou profeta, mas já sabia que Congonhas ia levar essa patética premiação, o Jabá da prefeitura foi pesado, maior que o de Ouro Preto.
E se eu fosse votar, tivesse que votar, não teria dúvidas sobre o meu voto. Uma pena é que como vários outros objetos de arte do Estado, eu teria que sair de Minas para apreciar a sua beleza. Mas mesmo assim votaria, e com o aval do fenômeno Ronaldinho, na Daniela Cicarelli.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/19/2004. ##########
******Domingo.....
Sonata em Mi menor Hoje é domingo, dia de dormir até mais tarde, e eu teria dormido sem problemas se um sonho não tivesse me acordado. Me acordou e desapareceu. Não foi pesadelo, daqueles de levantar suado, também não foi uma fantasia erótica, daquelas de levantar suado, foi um sonho que eu não me lembro. Eu não levantei suado, apenas acordei involuntariamente, despertado por algo que eu não sei o que era.
Ainda me restava sono para dormir, mas como eu iria dormir depois de um sonho como aquele, sim, porque o sonho existiu, me fez acordar sem suor, ele me acordou sem memória nenhuma do motivo. Sonhar é ótimo quando se lembra, essa sensação de aminésia onírica é horrível, um pesadelo. Virei um sonâmbulo pela casa, orfão de um sonho, estava sem saber onde colocar as mãos. Eu queria mesmo era poder enfiá-las pelos ouvidos e buscar na memória que diabos de tão importante tinha acontecido para pertubar meu sagrado sono dominical.
Algo de muito grave tinha acontecido em mim sem eu saber, uma premonição, uma abdução, uma reencarnação, uma polução. Essa sensação é que me estava corroendo, eu não sabia o que tinha acontecido em mim. Como saber de algo que caiu no abismo do subconsciente, algo que se equilibrava na corda-bamba do sonho e despencara lá do alto, em um lugar onde não se tem notícia. Mas o funâmbulo decaído estava procurando uma forma de se equilibrar novamente, não achava caminho, perdido em algum lugar na rede da memória, queria voltar à corda. Durante toda manhã, sem poder estender a mão e soergue-lo, ouvi o seu canto deseperado.
Mas essa angústia toda começou a se transformar em uma necessidade, estranha. Uma vontade que eu nunca tive antes, tão incômoda quanto, era barroca. Só foi passar quando eu me sentei ao Cravo, nem sabia que tinha um, e compús uma Sonata em Mi menor.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/18/2004. ##########
******Sábado.....
Moisés morreu de sede Faz um mês que Moisés me ligou:
- Aristides, sabe aquela viagem que eu resolvi fazer? Vai ser amanhã. Parto logo cedo, sei que não será fácil, está tudo armado, não adianta tentar me impedir. O risco é tremendo, mas vai dar certo, em nome de Jesus!
Não era pobre, se considereva classe média baixa, sempre conseguiu viver na maior dignidade apesar das dificuldades. Cursou até a oitava série se não estou enganado, era bom nos números, fazia contas numa rapidez impressionante. Estava desempregado fazia uns quatro meses, as oportunidades são quase nulas para quem não tem estudo. Tudo que ele havia conseguido até então era esforço dos bicos que a gente arranjava para ele: carregador, vigia e outros serviços instáveis, o que sempre lhe incomodava. Ele não gostava da possibilidade de ver sua filha nascer da fila dos desempregados, seu sonho era um serviço com carteira assinada, uma carreira que lhe garantisse uma aposentadoria, mesmo que miserável.
Essa história da viagem começou depois que ele resolveu freqüentar a igreja evangélica, o pastor dizia maravilhas daqueles que conseguiam "atravessar o deserto dos pecados mundanos". Ele me dizia que não, o pastor só queria o bem do rebanho e o dízimo era para manter a igreja, nada a ver com o pastor. Mas eu sei que o larápio queria era ganhar em dólar, em notas frescas, andava de carro importado e terno italiano, safado! Tenho certeza que ele não precisou passar pela prova do deserto, entrou pela porta da frente, como qualquer outro abonado.
Todo fiel, se a fé for verdadeira e forte o suficiente, atravessava o deserto imune com a ajuda de Jesus. Vocês acham que o caminho do paraíso é uma trilha fácil? - devia dizer o canalha! Do lado de lá da travessia mora o éden, lugar onde os sonhos se realizam, lugar da prosperidade e de delícias.
Nessa semana Moisés morreu de desidratação no deserto mexicano, não tinha fé o suficiente.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/17/2004. ##########
******Sexta-feira.....
Na padaria Na fila do caixa, uma senhora se prepara para efetuar o pagamento. Equilibrando com dificuldade as alças da bolsa no ombro, faz uma expressão de preocupação para saber quanto irá custar as compras que carrega. Chega sua vez, coloca todo seu peso sobre o balcão e verifica com atenção o trabalho da jovem funcionária, que passa os produtos pelo leitor eletrônico.
- Quanto deu minha filha? - pergunta ao final da operação.
A funcionária, sendo simpática:
- É dez reais e vinte centavos.
A senhora já ia abrindo a bolsa para pegar o dinheiro quando é interrompida:
- Ou melhor, "são" dez reais e vinte centavos.- corrige a funcionária sorridente, falando com toda segurança, querendo demostrar seu domínio sobre a forma culta da língua.
Mas a senhora aflita não entende:
- Uai, aumentou por quê? - a funcionária desaba em desgosto.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/16/2004. ##########
******Quinta-feira.....
Primeira comunhão Que dia lindo foi aquele, o dia da minha primeira comunhão. Talvez o dia mais importante da minha existência, pelo menos foi o maior divisor de águas desse rio turbulento que sou. Apartir dali tudo seria diferente! Senão fosse aquele momento mágico da comunhão, da primeira comunhão, minha vida seria um qualquer outro. Graças a essa tradição de logo cedo colocar as crianças em contato direto com o sublime, eu consegui passar por esse momento transformador. Mas nem todos são tocados da mesma maneira, disso tenho certeza, a força como ocorreu comigo não foi normal. São poucos os privilegiados que sentem dessa maneira, que sabem reconhecer na mudança o valor necessário para conservá-la em princípio.
Não me lembro muito dos detalhes, mas acho que aparentemente tudo ocorreu como era para ocorrer. Todos lá usavam as mesmas roupas, disso eu me lembro bem, fez me sentir parte de um só. Era também um forma de demostrar humildade perante o superior, tudo que sabemos é um nada. Concentração máxima, cada palavra era escutada como se fosse um segredo íntimo que nos estava sendo revelado. Pegavamos aquela nova informação e transformávamos em algo maior, que era nosso. Sabíamos que depois de toda aquela experiência não seríamos mais crianças, passaríamos para um outro patamar, estávamos desvelando os primeiros nós da vida, exigiríamos respeito.
Se a minha memória não está me enganando, o professor estava no centro da sala, com o toco de giz na mão esquerda, e era hábil em espalhar o conhecimento pelo ar. Os movimentos, as pausas para respiração, um suspense entre exclamações, tudo era um teatro. E foi nesta aula de história sobre a Santa Inquisição que tive a minha primeira comunhão com a verdade, meu primeiro pensamento crítico. Foi neste dia que tive o meu primeiro impulso de rebeldia, apartir de então percebi e resolvi recusar a hóstia dulcíssima que a sociedade tenta nos enfiar goela abaixo. A escola me ofereceu a liberdade e eu não recusei.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/15/2004. ##########
******Quarta-feira.....
A poça A saliva ainda fresca na calçada, faminta por pegadas desprevenidas, era o sinal que o dia precisava para nascer. A poça parecia implorar por um pisão, já que os raios de sol começaram a lhe arrancar o visco, as moléculas encantadas seguiam pelo chamado do astro rei e voavam uma a uma. Talvez a puta tenha escarrado o que lhe prendia a garganta, mas era esse o fetio da noite? Talvez um bêbado ou outra criatura de hábitos noturnos, não sei, não tinha assinatura. Pelo obstáculo passei como se faz uma ponte e continuei a andar.
Manhã estranha, algo estava para acontecer, o vento conspirava contra e batia frio nas orelhas. Foi quando percebi que andando estava parado, pernas de concreto e imóveis, era a cidade que estava caminhando em mim. Ela seguia suas passadas e não parava, intacto como rocha continuei atônito pela descoberta, a cidade está em mim! Meu estômago parece ter se contorcido todo, uma dor horrível, será a poluição? A vontade era de vomitar, expulsar o que estava fazendo tão mal, enfiei o dedo na garganta mas somente contrações vieram. Aos poucos voltei a andar e o vômito ainda entalado na garganta, mas acabei me contentando com uma bela cusparada que sujou a calçada e proporcionou um alívio passageiro.
Aquela poça ali estacionada parecia querer digerir a cidade.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/7/2004. ##########
******Terça-feira.....
Fora da trilha Não consigo fazer nada sem um fundo musical, para mim até o momento de escovar os dentes merece uma trilha sonora. Imaginem o quanto intenso são as escovadas ao som de wagner, o movimento do arco dos violinos para cá e para lá, nenhuma bactéria sobrevive. Não só os clássicos têm ação bactericida, utilizo com frequência Sepultura; nesta ocasião o importante é ter um certo peso. Talvez essa mania seja influência da sétima arte, totalmente banal sem o suporte da música.
Ao sair de casa, antes de pensar no guarda-chuva já estou com o "discman" na mochila. É claro que depois de ficar alguns minutos na frente do porta-discos indeciso sobre o que vestir. Tem dias que estou ousado, mas tem dias que o lado conservador prevalece e saio com o básico mesmo, depende da disposição do momento. Atuaremos em um filme de amor ou em um de ação, a trilha é quem decide, por isso sua escolha é decisão mais importante do dia.
Acho que eu não conheço o real barulho das ruas, para mim tudo é música, vou acabar surdo - talvez já esteja. Muitas vezes me surpreendo quando as cenas da cidade se encaixam perfeitamente no som do meu fone. Algumas delas deixariam Stanley Kubrick de cabelo em pé - acho que ele era careca mas não vem ao caso.
O fato é que a cidade fica muito mais interessante com o meu repertório, essa trilha que ela executa não me toca. Mas sou impotente contra, é apenas um ato de rebeldia, continuo dançando conforme a música. Uma tentativa vã de não ser um instrumento nas mãos dela, filme mais que batido.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/6/2004. ##########
******Segunda-feira.....
1. Pegue o livro mais próximo de você;
2. Abra o livro na página 23;
3. Se a página estiver vazia, deixe o livro mais distante, e volte para (1). Senão, continue;
4. Ache a quinta frase;
5. Poste o texto em seu blog junto com estas instruções.
" Não quisera mesmo hoje retirar uma só palavra do que disse então, advogando a liberdade religiosa mais perfeita; entendo ainda, hoje mais do que nunca, depois da esplêndida experiência do pontificado de Leão XIII, que a Igreja tem tudo a ganhar com a liberdade e que o futuro do mundo pode pertencer à alinça, já selada no atual pontificado, da Igreja Católica com a democracia."
Do livro "Minha formação" de Joaquim Nabuco.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/5/2004. ##########
******Domingo.....
Eugênia - a geneticista do futuro. Sua diversão era colecionar tatuzinho-de-quintal, passava horas seguidas no jardim coletando os tais bichinhos. Brincadeira de rua ela conhecia poucas, achava tudo besteira perto do contentamento de caçar novas espécimes. Eugênia conhecia cada milímetro de esconderijo na terra, seguia-os pelo cheiro, a terra molhada era o paraíso. A tarde passava sem perceber o mundo fora do habitat dos tatuzinhos, ficava eufórica ao encontrar algum diferente, seja pela cor ou pela maneira de se locomover. Tinha vontade de se contrair toda e virar uma bolinha quando a mãe lhe chamava dizendo que estava tarde para brincar na terra, adiando novas buscas.
Guardava-os em uma grande caixa de madeira com dezenas de repartições, onde eles eram separados segundo as características mais marcantes. Alguns deles tinham as cores mais vivas e ficavam em um local isolado daqueles cheios de ondulações na carcaça. Assim como os mais resistentes tinham uma repartição própria, os frágeis eram colocados com toda a delicadeza em um outro local da caixa de madeira. Achava engraçado como eles podiam ser diferentes entre si, graça que só ela entendia. E ficava imaginando nas possibilidades de encontrar tatuzinhos exóticos, tinha vontade de ter um cor de rosa!
A noite, depois do jantar, ela corria para o quarto dos pais com sua caixa de tatuzinhos, escondida. Sorrateiramente ia colocando aos poucos os bichinhos em determinadas áreas do jardim de inverno. Mas não era qualquer tatuzinho, em cada área distinta do jardim, separadas por barreiras físicas, ela selecionava certas características. Na área escura eram os mais claros, juntamente com os mais lentos e pegajosos. Em outra área colocava os manchados, os mais compridos e os cheios de cerdas. E apartir das novas gerações de cada área, Eugênia foi dando vida os bichinhos que andavam na sua imaginação.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/4/2004. ##########
******Sábado.....
10 anos, 100 quilos e 1 tia - a festa do 111 Neste exato momento, sob meus pés, uma festa corre animada no primeiro andar. Há dez anos atrás nasceu Aline, mas com tanta batata frita provavelmente será a sua última comemoração, ela é o que as tias chamam de "forte". Meu tubo de desodorante já se foi no combate contra o vento gordo que está soprando na janela, esse bafo quente de fritura é uma verdadeira arma química. O fedor do óleo parece que não se move, não é à toa que a sua função no organismo é essa, criar peso nas pessoas.
Guerra é guerra e cada um traça a sua estratégia, estou recuado mas paramentado para suportar o ataque químico. Além do gás desodorante, que subistitui um cheiro por outro menos insuportável, estou vestindo uma máscara de vapor (tenho parentes asmáticos), que resolve na medida que se usa. A dúvida é: abrir ou não a passagem de ar? Tamanha crueldade deveria ser considerada crime de guerra, pois a resposta correta só irá alongar o sofrimento. Se fechar, obstruindo os ataques da fritura de batata, serei obrigado a conviver com os resíduos de pastel e croquete que ficaram suspensos. Abrindo a janela, mostrarei ao inimigo resignação e só me restará esperar que gordura pare de soprar e passe rapidamente pela casa junto com a corrente de ar.
Acho que toda a família já cantou no caraoquê. Que inferno essa tal tia Alberta, acho que ela já pagou todos os micos que uma pessoa pode pagar. Que inferno a jovem guarda. A velha faz questão de todas as gafes, é tão deselegantemente egoísta que sozinha consegue cometer todas. Ela consegue representar todos os papéis das festinhas de criança, sozinha, ela é o tio bêbado, a madrinha escandalosa, a sogra, o adolescente tarado, a cunhada que apanha do marido, haja competência!
Nesse momento a doce Aline deve estar correndo de um lado para ou outro, misturando o suor com o óleo da batata frita, não deixando que nenhuma grama escape do seu corpinho obeso. Mais tarde, ela vai levar apertões na buchecha e ouvir os comentários surpresos de como ela já é uma mocinha. E pela terceira vez na noite ela sentirá um ódio profundo da tia Alberta, que fez questão de lhe dar mais um par de meias "Pokemon".
Uma mensagem de paz! Finalmente, estão sinalizando a rendição! A infantaria inimiga grita pelo cessar fogo cantando o "parabéns para você"!
Parabéns Aline! E que sejam servidos os cajuzinhos redentores!
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/3/2004. ##########
******Sexta-feira.....
Introdução
Este é blogue de uma ovelha conformada em apresentar uma boa felpa aos tosquiadores.
O desejo de toda criatura lanífera é passar pelo ritual da tosa, assim é baseada nossa existência, temos nessa cerimônia mas do que uma verdade, é uma crença incontestável, o sentido da realização da felicidade. Não são muitas as escolhidas para passar pelo vestíbulo onde se tosa, por isso a necessidade de manter a felpa tratada, a concorrência é o engenho que mantêm a qualidade da lã para os tais homens. Ovelhinhas se matam, lutam umas com as próprias, para conseguir uma felpa que os agrade.
Nos é ensinado que o ritual da tosa irá definir para sempre as nossas vidas, como se isso fosse possível! E todo rebanho se mobilizará para esse fim, as de pelugem curta (mais importantes na hierarquia do rebanho) e as de longa pelugem (resignadas e frustadas) tentarão ajudar as que atigem a idade. Existem as ovelhas de pedigree, com uma ampla genealogia de ovelhas peladas, linhagens finas, estas já nascem com a felpa vasta e lisa. As que não fazem parte desse grupo seleto terão que diariamente escovar, alisar, banhar, condicionar, até atingirem um mínimo aceitável de maciez, e mesmo assim essa lã só será utilizada para tapetes ou algo de menor importância.
A curiosidade é sempre reprimida dentro da sociedade do rebanho, aquelas ovelhinhas cheias de dúvidas que tentarem enxergar além da cerca serão advertidas:
- Dessa forma você está sujando o pêlo, minha filha, você não será escolhida, é isso que você quer? Virar uma ovelha de ordenha como a sua tia Augusta? Não, sai de perto da cerca, vamos! Vai se sujar com essa lama! Olha lá o pêlo do seu primo Tinoco, até brilha! O que está além da cerca não nos interessa, você tem muito trabalho a fazer com sua pelugem, tem que escovar mais forte. Vai pastar, vai!
Servida em tempo integral, a lavagem é temperada com muita ardileza, o combustível que mantêm a vida de ovelha. Dieta balanceada para nos manter sempre pesadas, no peso certo e determinado por cálculos, ovelha gorda não pula cerca. Qualquer imaginação fora dessa perspectiva de claustro é cheia de lobos e perigos demais, fazendo a vida de ovelha um paraíso.
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/2/2004. ##########
******Quinta-feira.....
Epígrafes
"Como todo os animais, o homem adapta-se, habitua-se às condições nas quais vive, e transmite por hereditariedade os hábitos adquiridos. Nascido e vivendo na escravidão, herdeiro de uma longa linhagem de escravos, o homem, quando começou a pensar, acreditou que a escravidão fosse uma condição essencial da vida: a liberdade pareceu-lhe impossível. É assim que o trabalhador coagido há séculos a esperar trabalho, isto é, o pão, do bel-prazer de um amo, habituado a ver sua vida continuamente à mercê daquele que possui terra e capital, acabou por crer que é o patrão que lhe dá de comer; ingênuo, ele se diz: o que faria para viver se os amos não existissem?
Tal seria a situação de um homem que tivesse suas pernas atadas desde o nascimento, mas de modo a poder ainda assim caminhar um pouco; ele poderia atribuir a faculdade de se mover a suas ligaduras que só fazem, entretanto, diminuir a paralisar a energia muscular de suas pernas. E, se, aos efeitos naturais do hábito, acrescento a educação dada pelo patrão, pelo padre, pelo professor..."
Errico Malatesta
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.
Fernando Pessoa - Guardador de rebanhos XI
As profissões interessam-me menos do que as seitas.
Albert Camus - A queda
Há ocasiões, em que contraímos a obrigação connosco, de não admitirmos alívio nas nossas mágoas, e nos armamos de rigor, e de aspereza contra tudo o que pode consolar-nos, como querendo, que a constância na pena nos justifique, e sirva de mostrar a injustiça da fortuna: parece-nos, que o ser firme a nossa dor, é prova de ser justa; esta ideia nos inspira a vaidade, menos cuidadosa no sossego do nosso ânimo, do que atenta em procurar a estimação dos homens. Uma grande pena admira-se, e respeita-se; é o que basta para que a vaidade nos faça persistir no sentimento.
Matias Aires - Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens
Oves inquam vestrae, quae tam mites esse, tamque exiguo solent ali, nunc (uti fertur) tam edaces atque indomitae esse coeperunt ut homines devorent ipsos.
Vossas ovelhas, que costumavam ser tão mansas e comer tão pouco, agora, segundo dizem, ficaram tão devoradoras e selvagens, que comem os próprios homens.
Thomas More - Utopia
########## Publicado por Aristides Campos Cerqueira em 7/1/2004. ##########
Caderno de um vestibulando, balidos de desespero, cotidiano de exercícios para tornar a lã mais atrativa aos tosquiadores. Esperança de passar pelo vestíbulo onde se apara a felpa.